Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho; Psicólogo Clínico; Consultor Organizacional

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Trabalho na Sociedade e Formação Profissional



Sandro Soares Diniz
Psicólogo – Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho; Terapeuta Comunitário; Clínico em Gestalt Terapia; Licenciado em Psicologia.
Instrutor Contratado do CFP-R – Senac-Pe - nas áreas de Gestão e Comércio.

Resumo: O trabalho em sua nova roupagem deixa o perfil de funcionar no universo privado ao qual estava diretamente ligado no mundo antigo, passando a ser realizado no centro do universo público. Nesse novo perfil do trabalho busca-se a remuneração, o reconhecimento, o exercício de papéis, o contato social e o acumulo de capital. Essa forma de trabalho ficou conhecida no mundo do trabalho como emprego.
A trajetória pela qual o trabalho trilhou e vem trilhando para chegar até onde estamos hoje, vem sendo marcada por uma relação de prazer e sofrimento.
A Psicodinâmica do Trabalho vem nortear toda essa trajetória ao definir seu significado, conhecimento, controle e relacionamento interpessoal no trabalho.
A apresentação histórica de uma das instituições de formação profissional relatada neste artigo vem fortalecer a compreensão da importância e do papel exercido dos órgãos de formação profissional no Brasil.

Palavras-chave: trabalho; psicodinâmica do trabalho; formação profissional.


Abstrat: The work in its new-style profile and let universe work in private which was directly connected in the ancient world, to be held in the center of the universe public. In this new profile the work seeks to pay, recognition, the roles of exercise, social contact and the accumulation of capital. This type of work became known in the world of work and employment.
The path by which the working paths and trails is to reach where we are today, has been marked by a relationship of pleasure and pain.
The Psychodynamics of work has guided all the way to define its meaning, knowledge, control, and interpersonal relationships ao work.
The historic presentation of a vocational training institutions reported in this article is to strengthen the understending of the importance and the role of exercise training agencies in Brazil.
Keywords: Work; Psychodynamics of work; vocational training.

TRABALHO NA SOCIEDADE E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Significado do Trabalho


O trabalho desde sua origem apresenta significado diverso remetendo-os ao sentido de punição, castigo e sofrimento. Na Bíblia é expresso como castigo pelo pecado original, culpa de Adão e Eva, sendo o homem condenado a trabalhar e ganhar o pão com o suor do seu rosto, enquanto que a mulher condenada ao trabalho de parto.
Albornoz (2002) descreve trabalho originado do latim, conhecido como instrumento de três paus aguçados que serviam para agricultores bater o trigo, o milho e o linho. Tripalium vem do verbo tripaliare, que significa torturar.
Os gregos faziam uma distinção entre o labor, o trabalho e a ação. O labor é realizado pela sobrevivência física do corpo, pois tudo produzido pelo labor é direcionado ao consumo imediato. Na hierarquia de valores do ideal grego encontra-se o labor reunindo as características de ser menosprezado, ser de ordem doméstica ou privada e não glorificado.
O grupo denominado de trabalho, distinção feita é correspondente a uma atividade artificial da existência humana. O trabalho assume a responsabilidade de produzir um mundo artificial diferente de qualquer ambiente natural. Na relação do trabalho e seu entorno está a vida de cada ser humano repleto de várias significações, representações e subjetividade.
O uso das mãos característica atribuída ao homo faber que com elas fabrica os diversos utensílios e objetos que circulam nossos ambientes de convivência privada e pública.
O trabalho está para permanência e liberdade, enquanto o labor para necessidade e futilidade.
A ação, terceira distinção feita pelos gregos diz que é a única atividade que é exercida entre os homens sem a mediação das coisas, objetos ou da matéria.
Existem quatro características básicas que distinguem a ação do labor e do trabalho. Conhecidas como a pluralidade, a não mediação material, por ser exercida na esfera pública e a liberdade.
Os povos antigos no revelam o aparecimento do trabalho como forma de sobrevivência, através da caça, da pesca, do cultivo de algumas espécies. Os nômades viviam em busca de diferentes terras onde de tempos em tempos apropriavam-se dos espaços. Esses povos aprenderam a produzir e guardar o excedente, surgindo entre eles a necessidade de troca. O escambo surge como forma de conquistar o objeto ou alimento de forma mais amena, sem despender uma atividade extra.
Evoluímos do processo de troca de mercadorias para o papel, a promissória até chegar a moeda.
No período da manufatura o indivíduo participava das etapas do processo de produção, pois detinha a matéria-prima, os instrumentos e a técnica de elaboração e construção dos produtos. Essas atividades de produção eram em grande parte realizada pelo grupo familiar.
A invenção das máquinas marcando a chegada do período de industrialização vem trazendo uma ruptura na era da manufatura – o homem não mais detinha a matéria e participava de todo processo. A partir de então se estabelece horários de trabalho e tempo no fazer de cada trabalhador, momento que é instituído a divisão social do trabalho.
O século XVII e início do século XVIII o trabalho passa a ser denominado como fato social. O trabalho em nossa sociedade foi elevado como elemento que funciona na organização econômica, social e política. Buscamos através do trabalho a sobrevivência pela manutenção de algumas necessidades, buscamos também o domínio de técnicas e de pessoas. É através da organização do trabalho e em sua estrutura social que fazemos a manutenção de nosso status quo.
Ferreira (1989) define trabalho como:
1.aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim. 2. Atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária á realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento. 3. Trabalho remunerado ou assalariado; serviço, emprego. 4. local onde se exerce uma atividade.5. Qualquer obra realizada. 6. Lida, labuta.
Podemos dizer que trabalho é toda atividade humana, como correr em uma maratona, fazer um desenho, tocar um instrumento, cantar, dançar e fazer uma aula.
O trabalho confere ao indivíduo condições de experimentar as propriedades, as necessidades de sobrevivência individual e familiar e de construção da sociedade, pela capacidade e prazer de produzir. Acima de tudo o trabalho faz parte do ser humano trazendo-lhe dignidade, respeito, levando ao exercício da cidadania.
A Declaração dos Direitos Humanos – ONU – Art. 23 –Parágrafo I diz que toda pessoa tem direito ao trabalho, á livre escolha de seu trabalho, ás condições eqüitativas e satisfatórias de trabalho e a proteção contra o desemprego.
O significado do trabalho e o conhecimento deste passa a ser importante para sobrevivência nos ambientes de produção.
O não-reconhecimento do significado do próprio trabalho induz ao desestímulo e o trabalho passa a ser visto como algo desinteressante (CODO,1998).

Conhecimento do Trabalho

Na indústria a especialização chega a um ponto absurdo, em que ninguém percebe mais o alcance do seu trabalho porque não vê o conjunto da atividade em que o seu esforço se insere (Albornoz,2002).
O indivíduo não detém mais os meios de produção por isso o trabalho é alienado ao trabalhador.
O artesão domina a ferramenta e a técnica além de acompanhar todo processo de produção de suas peças. Esse processo tem se deparado com os setores de produção em série, fragmentando não somente a construção de objetos, mas causando uma fragmentação da noção e compreensão do fazer no momento do trabalho.
A mecanização trouxe o avanço nos processos de produção, reduzindo tempo e aumentando consideravelmente os lucros. Fato que foi acompanhado pela regulação de todos os movimentos do trabalhador, onde este era visto como preguiçoso passivo de determinar seus atos nas atividades do trabalho. Este pensamento taylorista retira do indivíduo a capacidade de realização das tarefas cumprindo o tempo natural de cada trabalhador.
Começa-se perdendo os referenciais de regulação dos instrumentos de trabalho para atender as necessidades individuais, e passa-se para atender as necessidades das máquinas. O trabalhador tende a cumprir o tempo determinado pelas máquinas. Quantos parafusos no mínimo devo produzir por dia para não atrasar a produção? Quantas golas de camisas devo costurar por dia para puder dar conta a quantidade de pedidos dos revendedores?
A pressão nas linhas de produção aumenta e perdemos o referencial, o sentido de realização das atividades profissionais. A falta de execução de atributos naturais do trabalhador gera uma subversão de sua identidade. Quando perdemos o referencial ou sentido das coisas pela falta do conhecimento real, estamos na realidade perdendo parte de nós mesmos.
O valor atribuído ao conhecimento das atividades do trabalho e dos objetivos a realizar – favorecem um melhor aproveitamento das funções exercidas por vários profissionais. Quando despertamos tais conhecimentos em espaços mais abrangentes, fomenta em cada indivíduo o aparecimento de novos significados sobre a sua importância, bem como para empresa e em âmbito social.
O modelo taylorista-fordista de produção retira do trabalhador a possibilidade de acesso ao conhecimento. O trabalhador começa a funcionar como parte integrante da máquina, tolhem-no da capacidade criativa, da emoção e incentiva-se o cumprimento de metas.
O homem pode reconhecer-se nos produtos que cria. Transformando a natureza, o escravo reconhece sua própria natureza. Esse reconhecimento de si em seus produtos é consciência de si como ser humano (Albornoz,2002).
A identificação com o trabalho trás para o homem a satisfação e o encontro com partes de si mesmo, seja a parte produtiva, afetiva, dinâmica, social ou política. É nessa relação de contato que confirmamos ou negamos a nossa identidade, o nosso jeito de ser.
A transformação do trabalho, dos processos de produção proporcionou uma mudança no comportamento do homem em sua relação com o trabalho. As atividades produtivas estão em torno do indivíduo em todas as ações, mas existe hoje uma necessidade de atividades produtivas remuneradas que garantam não somente a sobrevivência do indivíduo, como também a confirmação de seus papéis nas relações sociais.
É nessa busca de confirmação dos papéis que o indivíduo precisa conhecer sobre a empresa, sobre sua função e o domínio desta nos ambientes de produção.
A visão sobre o trabalho nem sempre foi essa que temos hoje. Para os gregos era visto como algo desprezível, relacionado ao sofrimento, ao castigo. O homem que exercia atividades do trabalho era relegado e tinha comprometido sua imagem perante a sociedade grega.
A liberdade é essencialmente humana, não, porém, como uma propriedade de essência do homem, mas sim porque torna essa essência possível pela escolha, pois a liberdade define o homem: é o próprio homem: é a essência do homem (Giordani,1997).
A falta de conhecimento no trabalho imobiliza nossa liberdade de escolha. Precisamos de autonomia para realizar as tarefas no mundo do trabalho. A negação da autonomia e liberdade afeta nossa essência. Quando afetados ficamos fadados a rotina ao descontentamento.
O destaque desses aspectos é imprescindíveis para mostrar as mudanças de valores trazidas por uma sociedade industrial, como também a incapacidade de libertação no trabalho. A dificuldade dessa libertação dar-se ao fato de estar-mos presos em nossas atividades e atrelado as ordens dos líderes.
O trabalho em sua nova roupagem deixa o perfil de funcionar no universo privado ao qual estava diretamente ligado no mundo antigo, passando a ser realizado no centro do universo público. Nesse novo perfil do trabalho busca-se a remuneração, o reconhecimento, o exercício de papéis, o contato social e o acumulo de capital. Essa forma de trabalho ficou conhecida no mundo do trabalho como emprego.
O emprego passa, hoje, a ser um artigo em extinção, sabe-se que o trabalho continuará existindo e a esse contexto já destacamos a chamada empregabilidade. O indivíduo permanece conquistando oportunidade de trabalho como características e condições diferentes a do conhecido emprego.
As dimensões do conhecimento do trabalho permeiam um universo ilimitado de significações, cada vez mais que trabalhadores e trabalhadoras aproximarem-se destes significados esses indivíduos poderão dar um melhor sentido nas atividades do trabalho.

Controle sobre o trabalho

O controle exercido sobre a capacidade de realização das atividades do trabalho, traz um sentimento de apropriação e pertencimento. Esse sentimento trás consigo a condição de poder.
O homem é um ser que antecipa, que faz projetos, que se representa mentalmente os produtos de que precisa. Antes da própria atividade, pela imaginação, o homem já contém em si o produto acabado (Albornoz,2002).
A imaginação, a criatividade e o entusiasmo fazem parte de nossa essência, quando estamos na relação de trabalho necessitamos aplicar esses elementos para ter-mos parte de nós empenhada na tarefa que realizamos.
O fato de ser delegado poder em nossa atuação no trabalho confere respeito e um certo conforto nas atividades de interação com o ambiente e as pessoas que nele circulam.
A valorização pela execução ou por resultados obtidos também funciona como instrumento de validação na realização das atividades, onde entendemos exercer sobre elas um certo controle.

Em nossa realidade de um país de terceiro mundo, aonde desigualdades são bem mais aparentes, a expectativa é de que esta reflexão, possa vir a ter uma contribuição significativa com relação ao entendimento da realidade do trabalhador e do seu trabalho.

O fato de ser delegado poder em nossa atuação no trabalho confere respeito e um certo conforto nas atividades de interação com o ambiente e as pessoas que nele circulam.

Na história de construção do trabalho, a partir da teoria de Taylor, o homem foi condicionado e aprendeu a ser controlado pelos modelos de produção adotada por cada empresa. O trabalhador não estava ali para pensar, mas sim, para executar tarefas em uma jornada de trabalho exaustiva.

O indivíduo que consegue manter o controle sobre o trabalho, na realidade está indo além da necessidade de tal controle, está sim se auto-preservando.

Segundo Wahl citado por (Giordani,1997. pág.104) diz que o homem está condenado a ser livre, é escravo da liberdade.

A liberdade de escolha, ações, pensamentos, podem ser comprometida quando não sabemos o que fazer com nossa liberdade.
As interrogações são expressas no ambiente de trabalho, tentando entender até onde existe a autonomia do homem.

O trabalho do professor está atrelado as condições pedagógicas e metodológicas da instituição. Porém em sala de aula ele exercita parte de sua liberdade, assumindo o papel de líder, passa a ter autonomia nas ações com os alunos, na construção do conhecimento.


Relacionamento Interpessoal


O indivíduo passa em média 2/3 de sua vida em ambientes de trabalho, o emprego estrutural e as duplas jornadas nos levam a essa condição.

É nesse ambiente que também estruturamos laços afetivos, que vivenciamos conflitos nas relações de contato com outros indivíduos.

Atribuímos valores aos relacionamentos aos quais nomeamos como sendo satisfatórios ou insatisfatórios.

Existe a necessidade de sermos aceitos pela equipe a qual trabalhamos. Isso dá-nos a condição de experimentar o sentimento de ser admirado, lembrado e reconhecido por seus pares.

A qualidade dos relacionamentos no trabalho favorece a redução ou aumento do nível de estresse.

Os valores da própria organização contribuem com a qualidade dos relacionamentos.

As longas jornadas propiciam dificuldades quanto as relações interpessoais, pois os sujeitos envolvidos encontram-se em todo tempo em situações de pressão exercida pela própria organização do trabalho.

Os encontros extras atividades produtivas possibilitam a redução do estresse, assim como a manutenção das relações de contato fragilizadas pela convivência desgastada.

Cada trabalhador e trabalhadora precisam encontrar os redutores das pressões exercidas pelos ambientes de trabalho, visto que cada indivíduo libera tensões de formas diferenciadas.

O encontro desse equilíbrio caracteriza a condição de enfrentamento das situações de prazer e sofrimento que homens e mulheres trabalhadoras deparam-se em diversos momentos nas organizações.

As pessoas funcionam uns para as outras como fontes de fortalecimento quando compartilham os sentimentos para com as condições de trabalho que são submetidas.

É importante também entender que a gestão de pessoas compactua com o prazer e sofrimento de cada indivíduo conforme a maneira que age diante das situações apresentadas por cada pessoa.

Uma lenda da mitologia grega conta que existia um homem chamado Sísilo que foi posto a realizar uma tarefa de levar uma pedra até o alto de uma montanha. Chegando lá deixava a pedra rolar e repetia a tarefa inúmeras vezes.

Demonstrando com esse ato uma tarefa sem sentido e interminável.

O instrutor de formação profissional busca dar um sentido ao trabalho para aproximar-se mais do prazer e poder lhe dar com o sofrimento de forma amena.

A relação consigo mesmo enquanto profissional, a relação com os colegas de trabalho, as chefias e os alunos, fazem um conjunto de representações e papéis constitutivos do prazer e/ou sofrimento deste profissional.

Segundo Dejours (1994) Quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, quando a relação do trabalhador com a organização do trabalho é bloqueada, o sofrimento começa: a energia pulsional que não acha descarga no exercício do trabalho se acumula no aparelho psíquico, ocasionando um sentimento de desprazer e tensão


Origem da Formação Profissional no Brasil
No Brasil o ensino profissionalizante aparece no século XIX, sendo inicialmente realizado em instituições militares, onde tinha a preocupação de formar aprendizes e era destinado a indivíduos órfãos e que estavam a margem da sociedade.

A República trouxe mudanças no entendimento da formação profissional. Na década de 30, início do século XX com a origem do Ministério da Educação e Saúde Pública, a formação profissional tem uma alavancada, principalmente pelo processo de industrialização e a saída de indivíduos das zonas rurais para o perímetro urbano.

Em 1939, o conceito de formação profissional amplia-se, com a XXV Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, onde fica posto que todos os modos de formação que permitam adquirir ou desenvolver conhecimentos técnicos e profissionais, quer se proporcione esta formação na escola ou no local de trabalho.

A Confederação Nacional da Indústria, criada em 1938, funda o Serviço de Aprendizagem Industrial em 1942. A Confederação Nacional do Comércio surge três anos depois, em 1945, período marcado por enorme crise conseqüências da Segunda Guerra Mundial.

Vê-se uma necessidade emergente da criação de instituição que fosse responsável pela preparação de profissionais para atuarem no setor terciário.

Foi consolidada no I Congresso Brasileiro de Economia, com a redação da chamada “Carta Econômica de Teresópolis.” A organização da Carta proporcionou a formação de uma comissão interministerial, que em janeiro/1946 encaminharam ao Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, projetos para criar o Serviço de Aprendizagem Comercial – SENAC, e a aprendizagem dos comerciários.

Em 10 de janeiro de 1946, Roberto Carneiro de Mendonça, Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, profere leitura do decreto-lei n° 8.622 que versava sobre a aprendizagem dos comerciários e do decreto-lei n° 8.621 que autorizava a Confederação Nacional do Comércio criar e coordenar em todo país escolas de aprendizagem comercial.

Surge assim o SENAC e atrelado ao início da instituição a história do instrutor de formação profissional. As atividades do Serviço Nacional de Aprendizagem, em Pernambuco, iniciam-se em 14 de outubro de 1946.




CONSIDERAÇÕES FINAIS


O trabalho, seu significado e suas representações mudaram ao longo dos tempos, ao trazer transformações no cenário de produção, trouxe também alterações comportamentais para os trabalhadores envolvidos neste processo.

A realização desse trabalho teórico é fruto da vivência do autor e de sua excuta e percepção quanto aos aspectos relevantes do trabalho.

Observa-se que é preciso existir um significado, conhecimento, reconhecimento e controle sobre as atividades que permeiam a realização das tarefas nos ambientes profissionais. A manutenção desses processos faz com que o indivíduo saiba melhor elaborar as situações de sofrimento, assim como buscar pela satisfação daquilo que traz prazer na atividade profissional.

É possível observar neste trabalho como é expresso por Dejours (1994, pág. 137) que “o sofrimento é inevitável e ubíquo. Ele tem raízes na história singular de todo sujeito, sem exceção. Ele repercute no teatro do trabalho ao entrar numa relação, cuja complexidade já vimos, com a organização do trabalho.”

As direções são diversas para explicar o sentido e o significado do prazer e do sofrimento no trabalho na formação profissional. Sente-se que a fala está no sentido do “não dito”, encontra-se nas representações corporais do suportar, saber conviver ou adoecer no contato com os elementos de sofrimento.

As transformações no mundo do trabalho devem está sempre presente em nossas vidas, assim como a necessidade de equilíbrio do indivíduo/trabalhador diante dessas transformações também sempre devem está sendo refutadas para uma melhor adaptação do homem ao meio de produção.

A formação profissional, hoje, diante do cenário mundial com um prenuncio de crise. Passa a ser a ferramenta que fortalecerá os indivíduos e a sociedade para o enfrentamento dos desafios e o crescimento de nosso país.





REFERÊNCIAS


ALBORNOZ, s. O que é trabalho. São Paulo: Brasiliense, 2002.

CODO, W., SAMPAIO, J. J. & HITOMI, A. H. Indivíduo, Trabalho e Sofrimento: uma abordagem interdisciplinar. Petrópolis: Vozes, 1998.

DEJOURS, C., JAYET, Christian. Psicodinâmica do Trabalho: Contribuições da Escola Dejuriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. São paulo: Atlas, 1994.




FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio, 2ª ed. Revista e Ampliada, Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1989.

GIORDANI, Mário Curtis. Iniciação ao Existencialismo, Editora Vozes, Rio de janeiro: petrópolis, 1997 (Apud): Wahl, Jean, Les Philosophies de l’Existence, Libraire Armand Colin: Paris,1954.

Desenvolvimento de Projeto e Competência

DESENVOLVIMENTO DE PROJETO E COMPETÊNCIA

Sandro Soares Diniz
Psicólogo – Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho; Terapeuta Comunitário; Clínico em Gestalt Terapia; Licenciado em Psicologia.
Instrutor Contratado do CFP-R - Senac nas áreas de Gestão e Comércio.

Sônia Almeida
Especialista em Lingüística Aplicada as Línguas Românicas
Licenciada em Letras
Instrutora Contratada do CFP-R nas áreas de Gestão e Comércio.


Resumo: Este trabalho descreve as interações das unidades temáticas de Ética, Trabalho e Cidadania; Introdução à Administração e Comunicação e Redação Empresarial em uma prática interdisciplinar na construção das competências e a praticidade da pedagogia de projeto. Na construção do relato apresenta-se três projetos sendo um Workshop e duas palestras realizadas a partir da constituição de uma instituição (empresa) fictícia elaborada pelos alunos e orientada pelos professores das unidades temáticas correspondentes.

Palavras-chave: Competências, Mundo do Trabalho, Interdisciplinaridade, Desafios e Interação.


Introdução


A necessidade de construção de uma prática pedagógica mais centrada na articulação da base teórica com a vivência faz-nos buscar a pedagogia de projetos como um recurso de aplicação para nossa atividade com os discentes.
É a partir do relato de três experiências com projetos e de nosso arcabouço teórico que iremos apresentar o passo-a-passo dessa caminhada que segundo Dejours e Jayet (1994), entendemos, de prazer e sofrimento diante dos desafios. Citamos três projetos:
Workshop de Gestão e Comércio – A partir da necessidade dos alunos em conhecerem as áreas de gestão e comércio mais a fundo na interação com o mundo do trabalho. Elaborado pela turma do curso Assistente Administrativo (noite) Senac-Centro –PE;
Logística – Surgiu com o interesse no cenário da logística em Pernambuco e a propensão de crescimento nos próximos anos. Elaborado pela turma do curso de Auxiliar de Pessoal (noite) Senac-Centro-PE;
Gestão Ambiental – surgiu pelo interesse e experiência anterior de alguns alunos na temática, bem como, da necessidade de aprofundamento do tema. Neste apresentamos os comentários através de relato de experiência dos alunos quanto ao desenvolvimento das competências. Organizado pela turma do curso Assistente Administrativo (noite) Senac-Centro-PE.

A observação direta da prática de projetos possibilitará uma compreensão de como docente e aluno caminham na construção das competências para o mundo do trabalho.

Desenvolvimento


A experiência vivenciada na unidade temática de Ética, Trabalho e Cidadania, tem tido uma relevância significativa quanto aos aspectos reflexivos, comportamentais e de quebra de paradigmas.

As reflexões do dia-a-dia em ética leva os alunos a verem-se em um cenário no qual ele passa a ser o ator e diretor de suas atitudes e valores. É nessa experiência que temos também a possibilidade de trabalhar questões relacionadas ao trabalho em equipe, resiliência nos ambientes profissionais, postura nas relações de conflito, inteligência emocional e preocupação com os recursos naturais do planeta.

Trabalhar os aspectos que concerne à mudança de comportamento e ouvir o relato dos alunos quanto ao crescimento pessoal e profissional tem sido o termômetro que nos possibilita verificar a assertividade de nosso trabalho nessa unidade temática, bem como, unidades temáticas posteriores.

A unidade temática de Introdução à Administração tem como objetivo trabalhar os conteúdos de funções administrativas, estruturas administrativas, modelos administrativos, teorias da administração, administração do tempo, empreendedorismo e planejamento estratégico. Diante da criação de uma empresa fictícia e da elaboração de seu planejamento estratégico escolhemos um dos objetivos traçados no planejamento e passamos para execução. Momento em que se começa a articulação entre teoria e prática na construção das competências.

Tivemos oportunidade de desenvolver, em sala de aula, projetos ousados que favoreceram o crescimento dos alunos e a constante interação e continuidade dos projetos dentro de cada unidade temática. Nossos três últimos projetos foram o Workshop de Gestão e Comércio; Palestra sobre Logística e a Palestra sobre Gestão Ambiental.

Projeto I

O Workshop de Gestão e Comércio realizado no dia 17 de junho de 2008 das 16h às 22h foi resultado do trabalho organizado na unidade temática de Introdução à Administração do curso de Assistente Administrativo.

Foi através da constituição de uma empresa fictícia intitulada de CONGESCOM (Consultoria de Gestão e Comércio) que dividimos a sala de aula em setores produtivos como Administrativo; Recursos Humanos; Marketing; Planejamento e Financeiro. Diante dessas divisões elegemos os gerentes perante as competências exigidas para cada cargo, bem como, o diretor da consultoria.

O Workshop foi composto por palestra de abertura com o tema: Transformando pedras em Degraus – Desafios e Possibilidades; Momento artístico com um grupo de bossa nova de uma instituição musical de Olinda; 05 salas de trabalho simultâneas – sendo a primeira com o tema: Desafios do Departamento Pessoal; a segunda com o tema: Armadilhas da Contabilidade Tributária; a terceira sala de trabalho com o tema: O Ser Humano como Diferencial no Atendimento; e a quarta e quinta salas de trabalho com o tema: O Telemarketing Ativo nas Organizações.

Finalizamos o evento com a culminância das salas de trabalho e apresentamos as competências desenvolvidas por cada grupo, bem como, o sorteio de brindes patrocinados por algumas empresas parceiras.

Tivemos como patrocinadores do Workshop 08 empresas que contribuíram com a criação e confecção da logomarca, banner, cartazes, crachás, camisas e brindes diversos para sorteio durante o evento.

As inscrições realizadas para este evento contaram com a doação de 1kg de alimento não perecível que foi revertido para duas instituições. Uma que acolhe portadores de Leucemia e outra que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco. Com essa iniciativa levamos o grupo a verificar a importância da Responsabilidade Social na empresa e seu reflexo na comunidade.

A estrutura do projeto foi resultado do constante envolvimento dos alunos associando teoria e prática com uma estrutura organizacional voltada para produtividade e desenvolvimento das competências. Assim como, a colaboração efetiva dos professores de outras unidades temáticas, supervisão, chefia e secretaria do Senac Centro.

Projeto II
A realização do segundo projeto “Logística” aconteceu no dia 15 de agosto de 2008 no Auditório do Senac Suassuna, como resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos do curso Auxiliar de Pessoal na unidade temática de Introdução à Administração. Com a organização do evento os alunos vivenciaram conteúdos trabalhados em sala de aula.

A partir da constituição de uma empresa fictícia a qual demos o nome de “Premier Log – Consultoria em Serviços de Logística – Empresa Júnior” e da divisão dessa em setores produtivos com seus respectivos gerentes e diretor geral da organização que começamos a trabalhar as bases tecnológicas de uma forma prática com a elaboração e execução de um planejamento estratégico da consultoria.

A temática “logística” surgiu como proposta pelos alunos diante da curiosidade e necessidade de explorar um assunto que tanto tem sido foco aqui no estado. Diante desse cenário os alunos contataram com dois professores universitários de instituições distintas que se disponibilizaram a proferir palestra com os temas: A Importância da Logística em Pernambuco; e A Globalização da Logística e suas Estratégias.

Tivemos 10 empresas envolvidas como patrocinadoras do evento na doação de banner, cartazes, faixa, pastas, canetas, crachás, camisas e brindes.

A inscrição para as palestras foi realizada com a doação de 1kg de alimento não perecível que posteriormente foi doado a instituição não governamental que acolhe crianças e adolescentes em situação de risco social.

Na avaliação do resultado do projeto com os alunos chegamos a conclusão de que este trabalho proporciona ao aluno, de forma prática, desenvolver habilidade técnicas, comunicacionais e interpessoais necessárias para o investimento no mundo do trabalho, bem como, o despertar para o cumprimento de objetivos e metas dentro da organização.

Projeto III
O terceiro e último projeto foi realizado pela turma de Assistente Administrativo (noite) do Senac-Centro no dia 15 de setembro de 2008 no auditório Roberto Regnier no Senac-Suassuna com a palestra sobre Gestão Ambiental que contou com três palestrantes, sendo dois representantes da UFPE e um do Porto de Suape.

Tivemos a presença de uma Profª (Doutora em Ciências pela Universidade Autônoma do México e Profª da UFPE); um Prof. (Mestrando em Botânica pela UFPE) e um Biólogo (Representante do Porto de Suape). Que discorreram com a temática mostrando seu grau de importância para as empresas, sociedade e para o planeta.

O projeto surgiu a partir da necessidade de conhecimento sobre a Gestão Ambiental e seu impacto nas organizações e nos recursos naturais do planeta.

O trabalho focou na elaboração de uma instituição fictícia intitulada Futuro Green (ONG) tendo como proposta divulgar a importância da gestão ambiental nas empresas e sociedade civil organizada.

O evento foi realizado com sucesso e com o patrocínio, indispensável, de 16 empresas que contribuíram com materiais e presença no dia da palestra.

Escolhemos nossa última experiência para analisarmos a construção das competências a partir da interação de três unidades temáticas (Ética, Trabalho e Cidadania; Introdução à Administração e Comunicação e Redação Empresarial).

O fio condutor que direciona toda nossa proposta de trabalho e a dinâmica em sala de aula é a competência. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira “competência: (do latim competentia) 1. ...definição jurídica...; 2. Qualidade de quem é capaz de apreciar ou resolver certo assunto, fazer determinada coisa; capacidade, aptidão, idoneidade.”; “Competente: Quem tem competência legal, suficiente, idôneo, apto.”

Segundo Perrenoud (1999, p.07) competência significa “uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem se limitar as eles.” Caracteriza-se por uma melhor relação ente o indivíduo e o objeto do conhecimento. Dessa forma, as experiências anteriores são essenciais na construção de novas competências.

Nesse ambiente, observamos que as questões das competências desenvolvidas na formação profissional surgiram conforme a necessidade e as demandas que apresentavam maior carência para um direcionamento de qualificação.

Os alunos do curso de Assistente Administrativo que desenvolveram o projeto sobre Gestão Ambiental começaram cursando a unidade temática de Ética, Trabalho e Cidadania. Momento em que tiveram oportunidade de conhecerem-se, trabalhar conceitos éticos, identificar padrão de conduta moral, valores e atitudes, importância do trabalho em equipe, significado da resiliência e sua influência nas relações profissionais e origem da palavra trabalho.

A citação de Albornoz (2002) descreve trabalho originado do latim, conhecido como instrumento de três paus aguçados que serviam para agricultores bater o trigo, o milho e o linho. Tripalium vem do verbo tripaliare, que significa torturar.

Essa descrição favorece uma análise aprofundada do significado do trabalho e da importância que damos a ele diante do mundo do trabalho atual. Visualizamos com tal experiência que provocamos um impacto na forma de conceber a origem do trabalho e consequentemente o posicionamento do aluno é transformado conforme exigências presentes.

Buscamos em sala de aula trazer o significado do trabalho utilizando o pensamento do Wanderley Codo. Segundo (CODO, 1998) observamos que o não-reconhecimento do significado do próprio trabalho leva-o ao desestímulo e o trabalho passa a ser percebido como algo desinteressante.

Tornar a passagem por essa unidade temática como uma experiência interessante no ponto de vista da mudança de comportamento que é a partir dela que entendemos a aprendizagem e a possibilidade de identificar habilidades e desenvolver competências relacionais para os ambientes de produção.

É nosso objetivo enquanto docente que os pressupostos trabalhados em Ética sejam alicerce para unidades temáticas posteriores, assim como, para a prática do profissional no período do estágio oferecido no curso até a contratação por uma empresa interessada. Sendo tal preparação fundamental para a unidade temática de Introdução à Administração, quando sentimos o grupo preparado e na expectativa para o desenvolvimento do projeto nesta unidade.

Apresentamos a idéia de transformar a sala de aula em setores produtivos de uma organização, constituindo uma empresa (fictícia) direcionando para um segmento e elaborando sua razão social, nome fantasia, logomarca, organograma, divisão dos setores e identificação das pessoas para assumir os cargos dos respectivos setores (Direção Geral, Administrativo, Financeiro, Marketing e Recursos Humanos (Gestão de Pessoas). Momento esse que apresentamos de forma clara e objetiva quais as competências que deveram ser atingidas e como atingi-las diante da metodologia de projetos.

A partir de então tivemos o primeiro direcionamento. Criamos uma ONG – chamada de Futuro Green – com o propósito de trabalhar as questões da Gestão Ambiental nas empresas e na sociedade civil organizada.

Feito a divisão passamos a apresentar as bases teóricas da unidade temática. Vimos à importância da aplicação das funções administrativas, as estruturas administrativas, os modelos administrativos japoneses, as teorias da administração e a administração do tempo de forma a provocar e estimular no grupo um espírito empreendedor.

Passamos para a elaboração do Planejamento Estratégico da organização identificando sua Missão, Visão e Valores; A Análise do ambiente externo e interno; os Objetivos, Metas e Prazos; e o Sistema de acompanhamento e controle.

Escolhemos um dos objetivos do planejamento para execução, o que tratava de organização de palestras, seminários e workshops.

O setor de Recursos Humanos ficou responsável de contatar profissionais que desenvolvessem trabalhos voltados para esta área.

Foi possível conforme viabilidade agendar data para o evento que aconteceu no Auditório Roberto Regnier no Senac-Suassuna no dia 15 de setembro de 2008.

O Setor de marketing ficou responsável de desenvolver todo material de divulgação como cartazes, faixa, banner, camisas, crachás, pastas e canetas para o evento.

O financeiro assumiu o controle da entrada e saída do capital que foi adquirido através de doações de empresas parceiras, interessadas em contribuir com o projeto e de abraçar a temática que seria abordada no evento.

O setor administrativo ficou com a responsabilidade, dentre outras, de acompanhar a execução do planejamento junto da diretoria, controlar a entrada e saída de documentação convite para os patrocinadores e parceiros, bem como, dar suporte aos setores quando da existência de necessidade.

As cartas elaboradas e o modelo do cerimonial foram desenvolvidos pelos alunos, mas, neste momento começa a interação com a terceira unidade temática de Comunicação e Redação Empresarial, onde passa a ter a orientação do docente quanto à adequação do discurso. Toda documentação começa ser arquivada e os currículos dos palestrantes são anexados posteriormente ao projeto, assim como, a descrição dos cargos e o resultado do custo do projeto apresentado pelo financeiro.

Várias foram às reuniões em sala de aula para cumprirmos os prazos e executarmos o planejamento com eficiência e eficácia.

Os momentos de tensão aconteceram pela pressão em atingir bons resultados, mas, a sensação de realização nos trouxe o gosto do cumprimento das metas com propriedade das ações. As situações de prazer e sofrimento aconteceram como é comum em momentos de atividades laborais, contudo, a coesão e a necessidade na superação das metas foram às ferramentas que impulsionaram para a construção das competências exigidas.

Para Dejours e Jayet (1994:128)

Prazer e sofrimento são vivências subjetivas, que implicam um ser de carne e um corpo onde ele se exprime e se experimenta, da mesma que a angústia, o desejo, o amor etc. Esses termos remetem ao sujeito singular, portador de uma história e, portanto, são vividos por qualquer um, de forma que essa história não pode ser, em nenhum caso, a mesma para um sujeito e para outro. Parece, portanto, que vários sujeitos, experimentando cada um por si um sofrimento único, seriam, contudo, capazes de unir seus esforços para construir uma estratégia defensiva comum.

Observamos que diante da proposta de trabalho e das exigências para atingi-las e desenvolvê-las com propriedade, todo o grupo uni-se no propósito de superação e verifica-se que toda conteúdo trabalho em ética, quanto ao trabalho em equipe, proatividade, postura ética profissional é expressa em atitudes e valores no processo de construção. Nossa avaliação e feed-back ao aluno passa a ser continua com o propósito de identificar para ele seu desempenho e estimulá-lo para seguir com entusiasmo.

A criação do projeto em sala de aula e sua execução representam a estrada do conhecimento, da construção das competências, no desenvolvimento das habilidades, no momento em que apresentamos o arcabouço teórico e vivenciamos a teoria na constituição de uma organização. Nossa prática pedagógica diante da interação das unidades temáticas pauta-se na interdisciplinaridade que segundo (Machado, 1995, p.186)
o significado curricular de cada disciplina não pode resultar de uma apreciação isolada do seu conteúdo, mas sim do modo como se articulam as disciplinas em seu conjunto; tal articulação é sempre tributária de uma sistematização filosófica mais abrangente, cujos princípios norteadores e necessário reconhecer.

A logística do projeto aconteceu efetivamente com o acompanhamento das etapas de elaboração, execução e avaliação final.

Finalizado o projeto os alunos deram continuidade com a unidade temática de Comunicação e Redação Empresarial na produção de um catálogo de correspondência da organização constituída. Foram redigidos modelos de bilhetes formais e informais; e-mail formal e informal; modelos de cartas: 1. Acidente, 2. Advertência, 3. Apresentação de produto, 4. Atendimento de solicitação, 5. Aviso prévio, 6. Cartas de cobrança (avisos), 7. Cotação de preços; Memorando; Circular; Mala direta; Ofício; Atestado; Declaração; Certificado; Procuração; Recibo; Convocação; Ata; Requerimento e Relatório. Nessa etapa do projeto os alunos desenvolvem competências ligadas a Redação Empresarial trabalhando com os princípios da instituição que constituíram e vivenciam o dinamismo e agilidade na elaboração de documentos dentro de uma empresa.

Para melhor ilustrar nossa prática pedagógica com projetos no trabalho com a interdisciplinaridade na construção das competências, colhemos alguns relatos de alunos do projeto Futuro Green.

Maria do Carmo (nome fictício)
Aluna do Curso de Assistente Administrativo – noite
O meu papel. Eu fui coordenadora do grupo. Coordenadora de todo o projeto e realmente pra mim foi uma experiência inesquecível e fundamental.
... A gente como era uma ONG fictícia mais sentimos um apelo que é ser na realidade uma empresa ainda início, mas, enfim deu tudo certo. Apresentamos o projeto e antes do, da realização da temática de introdução administrativa nós tivemos um trabalho da ética do trabalho com a professora Carmen Gusmão que nos deu uma base muito grande passou pra nós um comprometimento especial em relação de pegar, de passar pra... na realidade a introdução à administração que requer muito do aluno, requer muito da entidade, cobra muito... E nós passamos pela ética do trabalho realmente viemos entender o fundamento quando chegamos na introdução à administração com o Prof. Sandro que realmente agente teria que ter essa base e também a comunicação em redação comercial com a Profª Sônia também foi uma importância muito grande pra nossa vivência profissional com cartas , c.i.s, circulares, relatórios, atas, comunicação interna e externa, cobranças, então assim, a forma da escrita né, foi muito importante pra nossa equipe pra nosso trabalho e hoje estamos assim cada vez mais qualificados dentro do, da temática assistente administrativo.

Francisco de Assis (nome fictício)
Aluna do Curso de Assistente Administrativo – noite
A experiência foi impar, pois, nunca mim encontrei numa situação dessas. É algo novo onde você tá no mundo e de repente você cai de paraquedas numa situação que você não espera encontrar, porém, de grande valor. Descobri valores aos quais não conhecia, desenvolvemos um projeto de grande êxito, trouxemos mais para a realidade que muita gente não conhecia...

Tivemos a oportunidade de observar na fala de toda a turma e de alguns alunos, através de relato gravado, que os obstáculos, as dificuldades na realização de um projeto são importantes e necessários e acima de tudo a inter-relação das unidades temáticas favorecem para um melhor aprendizado do aluno quanto ao desenvolvimento das competências e sua preparação para o mundo do trabalho. Nossa prática de trabalhar através de pedagogia de projeto tem sido intensificada pela observação direta de resultados atingidos, bem como, pelo retorno dos alunos diante do arcabouço teórico que temos apresentado em sala de aula e sentimos a praticidade dessa teoria quando temos a oportunidade de trabalharmos com projetos ousados e que possibilita o crescimento pessoal e profissional de todos que estão envolvidos no processo de construção.


Considerações Finais

A elaboração e desenvolvimento de projetos em sala de aula provocam a quebra das paredes do ambiente de formação profissional e possibilita ao aluno deparar-se com situações mais reais de uma prática profissional. É nessa prática que observamos que o crescimento é mútuo diante da interação das unidades temáticas, da interdisciplinaridade, da atribuição de outras responsabilidades ao aluno e do trabalho de acompanhamento direto do docente.

Segundo Morin (2002, p.35), as reformas educacionais devem originar-se dos próprios professores: “trata-se de um trabalho que deve partir do universo docente, o que comporta evidentemente a formação de formadores e auto-educação dos educadores”.

Existem obstáculos para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, mas, entendemos que esses não são obstáculos intransponíveis, muitos desses podem ser solucionados pela interação do quadro docente e diretamente pela relação aluno-professor.

Será a forma mais adequada de trabalhar em sala de aula? Será que os projetos possibilitam o crescimento efetivo dos alunos para o mercado de trabalho? É mais fácil visualizar as competências através do desenvolvimento de projeto? É evidente que não temos a pretensão de trazer respostas a esses questionamentos, mais sim, de provocar e trazer uma discussão de que o trabalho com projetos viabiliza uma construção diferenciada das competências. E acima de tudo temos apenas a pretensão de falarmos de nossa experiência enquanto docentes e do prazer ao constatarmos os resultados atingidos a partir dessa proposta de trabalho.


Referências

ALBORNOZ, S. O que é trabalho. São Paulo: Brasiliense, 2002.

CODO, W., SAMPAIO, J. J. & HITOMI, A. H. Indivíduo, Trabalho e Sofrimento: uma abordagem interdisciplinar. Petrópolis: Vozes, 1998.

DEJOURS, C. e JAYET, Christian. Psicodinâmica do Trabalho: Contribuições da Escola Dejuriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. São Paulo: Atlas, 1994.

MACHADO, Nilson José. Epistemologia e didática: as concepções do conhecimento e inteligência e a prática docente. São Paulo: Cortez, 1995.

MORIN, Edgar. Educação e Complexidade: os Sete Saberes e outros ensaios. São Paulo: Cortez, 2002.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio, 2ª ed. Revista e Ampliada, Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1989.

PERRENOUD, Phillipe. Construir Competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.


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